quarta-feira, 26 de maio de 2021

nos conhecemos por acidente

Postado por Bianca Barion às 00:05 0 comentários



 eu nasci em uma cidade de doze milhões de habitantes 

compartilho um lar com mais setecentas mil pessoas

o interior me acolheu pela primeira vez com seus duzentos e cinquenta e quatro mil abraços

trilhei um caminho pelos duzentos e trinta e oito mil paralelepípedos 

passei por um país de um bilhão de rostos cansados pelas ruas de uma manhã imersa no céu poluído e cinza

e mesmo assim minha alma almeja mergulhar em um lago azul

nos olhos cor de mel distantes, a quatrocentos e nove quilômetros que se tornam cinco horas

e que em cinco horas eu sinto vontade de contemplar seu rosto um bilhão treze milhões cento e noventa e dois mil quatrocentos e nove vezes

no meio de toda essa imensidão, eu fui encontrar o menino dos meus sonhos, fisicamente, espiritualmente e com o mesmo humor do meu devaneio da meia noite aos 15 anos de idade

em um lugar com dois mil habitantes

agora sinto que minha ânsia de conhecer o mundo se resumia a uma cidade que nunca vi no mapa de meu país 

e que meu sonho adolescente era puramente uma miragem de alguém que verdadeiramente existia

longe, mas estava lá, imerso em acordes

dentro de um coração de ouro

mesmo isso sendo um sonho inalcançável

finalmente te encontrei

agora, minha alma almeja o meu amor da vida adulta

escrevo isso, porque ainda sou a mesma

mas seu coração nunca estaria pronto para me abrigar 

o que me resta é um espaço reservado à uma amiga

e esse laço nosso, nem a vida adulta corta




quinta-feira, 29 de abril de 2021

ânimo

Postado por Bianca Barion às 01:32 0 comentários




 eu queria garantir que próxima semana eu estarei aí

que iremos brindar como havia prometido no áudio de 3 minutos o qual relatava o quanto gosto de sair 

eu ria tanto que me perguntavam se eu estava bêbada

afirmava que não

nessa situação de animação descontrolada a última coisa que eu poderia fazer seria beber

"por favor, pare de perguntar se bebi" eu sussurrava

porque agora conheço que tudo há um limite

até para uma felicidade exacerbada

a tristeza vem com a mesma força

bate na sua carne e depois atinge seus ossos 

e então você tem certeza que todos te odeiam

até a amiga que escutou seu áudio 

a que estava rindo com você

você nunca encontrará o amor, a memória diz

porque quando você chorou e abriu suas feridas

eles foram embora, com medo

"ela é louca" devem ter pensado

e por isso eu não posso garantir que próxima semana irei te ver

porque nem eu mesma sei em que versão minha estarei mergulhada

a que derrama ou a que joga tudo para o alto e vê os destroços caírem nos olhos, sorrindo, e nem se sabe o porquê do sorriso

eu não sei quando esse vazio vai passar

e quando o falsa preenchimento dele irá embora 

só desejo não ir embora de mim



sábado, 24 de abril de 2021

ser madura não é deixar com que os outros te machuquem

Postado por Bianca Barion às 00:51 0 comentários
eu fielmente consigo reproduzir suas palavras em minha memória
sua expressão
suas mãos tremulas 
você repetia, de novo e de novo, que me admirava 
que eu era madura
e só agora, realmente amadurecendo, posta naquela situação
consigo me ver como tudo, menos como madura
eu não tive respeito com a pessoa que mais amo
comigo mesma
meu reflexo no espelho, rosto ruborizado 
olhos que ardiam, o ar que me sufocava
você me desprezou e eu deitei mais uma noite ao seu lado, na cama fria
porque, ali, eu amava mais você do que a mim
e hoje te agradeço por ter ido embora
só assim consegui ver como eu colocava alguém que conhecia há 1 mês acima de quem eu sou há 24 anos

quinta-feira, 14 de janeiro de 2021

se eu escrevesse sobre você, você leria?

Postado por Bianca Barion às 17:48 0 comentários




Houve um tempo em que você quebrou meu coração e, como uma maldição, eu nunca ousei escrever sobre o amor enquanto ele florescia. Cabia às minhas palavras o último estágio dele, a ruptura, depois que tudo tinha sido desfeito e eu fincava a dor em textos. Houve tempos em que me apaixonei por você, o desejo da ida diária a sua casa, onde podia te alcançar facilmente atravessando a rua. Depois a distância deu-se por meio de algumas fileiras, à espera do caminho da sua silhueta passando pelos portões de um colégio. Você, alto como um castelo, personificação de um conto de fadas e inalcançável tanto quanto. E entre tudo isso, o universo que silenciosamente trabalhava, como sempre foi e sempre será. Eu voltava para você sem ao menos perceber. Quando uma taça de vinho diretamente me dava a coragem de te desejar um feliz ano novo às 1:06 da manhã e ver seu rosto numa chamada às 23:25 da noite. A correspondência do destino me trazendo à lembrança do primeiro amor. Aquele que nem pode ser nomeado de romântico, mas tem valor muito maior, a simplicidade da pureza de duas crianças. A visão de uma casa com corredores enormes e um menino de cabelos dourados que dificilmente se ouvia o som da voz. Onde nenhuma maldade podia nos alcançar, nem a dor de um coração partido. Meu coração desperta e se aquece com a ternura dos momentos que você me proporcionou e agradeço a todos que estão acontecendo. Pela primeira vez, obrigada por me permitir escrever um texto feliz e cheio de esperança, da forma que for, isso é único. Se eu tivesse o poder de voltar no tempo, iria estar no seu portão, esperando um abraço, sem que um oceano me impedisse de tal ato.  

quarta-feira, 4 de novembro de 2020

[texto] .

Postado por Bianca Barion às 02:55 0 comentários

Como uma verdadeira patética, eu vivo como um fantasma 

Presa no topo de um castelo

Minto para mim que esses cômodos são tudo que o mundo tem a me oferecer

E que minha imaginação é a única que pode me satisfazer completamente

Eu não olho para fora

Não ouso abrir as janelas e a cortina pesada que cobre do teto até o fim dos meus olhos

Me faz, cegamente, escrever e com o som surdo das teclas eu me contento

Mentirosamente, me repito



quinta-feira, 22 de outubro de 2020

[TEXTO] nada faz sentido sem você

Postado por Bianca Barion às 22:33 0 comentários



Venha.

Eu queria te contar que os outros falavam.

Lançavam palavras. 

Você era o único que conversava. 

O som da sua voz era como os acordes da canção que eu nunca escutei.

Você tinha os olhos que questionavam, lábios que respondiam e a alma que confundia.

Eu, posta em frente ao meu devaneio excessivo, nunca teria imaginação suficiente para te criar.

Exista.

Porque minhas percepções andam mudando e eu quero achar um significado para tudo isso.

Mesmo que seja às 3 horas da manhã.

Você tem de vir, existir, falar e me fazer crer que nada é em vão.

Nem mesmo o maior sofrimento que minha carne já experimentou. 

Quero que você explique onde esteve.

E porque eu te projetei nas minhas noites de sono alucinógenas.

Tudo isso deve ter um motivo.

Eu preciso acreditar.

Ou morrer imaginando como seria. 



terça-feira, 6 de outubro de 2020

[TEXTO] ONTEM

Postado por Bianca Barion às 00:34 0 comentários



Ontem eu me senti adolescente. E mesmo sem ninguém me entregar esse título, nas profundezas de minha solidão, o eco me fez perceber. De alguma maneira eu era adolescente de novo. Meu corpo parecia se curvar de vergonha. Alguma coisa em mim não se encaixava, eu não pertencia àquele momento mais. Eu não podia pagar a conta do passado duas vezes, esse débito não cabia. O que eu havia aprendido havia sido jogado fora em alguma parte da minha formação? Pensara. Mas foi aí que o velho eu, que carrego desde criança, me contou que não era sobre regredir e sim encontra-se na mesma situação de anos anteriores e com a dureza do agora, agir de uma maneira diferente. Isso era crescer, sem nomeações de ciclos. 

 

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