quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

[TEXTO] VOCÊ SABE QUANDO ESTÁ PRESTES A SE APAIXONAR

Postado por Bianca Barion às 03:46 0 comentários
Amar não vem com manual de instruções, isso já é de praxe, virou até clichê. Ele bate na sua porta, sim, mas nunca que ele dirá ‘’ ei, posso entrar?’’ e daí você vai olhar para a bagunça que já está lá dentro e poderá dizer ‘’ não, não, sem chance’’. Ao invés disso, o amor com a sua cara lavada e petulante vai falar ‘’ não vou ligar para a bagunça, não’’, porque é obvio, ele quer que se dane todo o furação que ele já causou nas últimas visitas. Você pode fazer uma fortaleza em volta de você, pode não abrir a porta ou até mudar de endereço. Não tem dessa, ele desmorona tudo que você construiu, ele dá um jeito de entrar ou até de te achar. Correr para ganhar tempo, mas nunca efetivamente para fugir.

E quando ele te acha, você ainda tentar se esconder e se esquivar, igual naqueles filmes de terror, mas sempre vai cair e ser pega. Você sabe que não pode, que não deve, que nunca daria certo ou até que é impossível por todos os motivos que possam ser listados. Quando é para sentir, você vai sentir.

Ou você pode simplesmente mentir a si mesmo. Fingir que não liga. Mas você começa a perceber que está percorrendo aquele caminho intimidador. Quando você dá por si, está pensando na pessoa mais do que devia. Porque pensar 23 horas e 59 minutos não é o que estava nos seus planos. E a tentativa de distrair sua cabeça para não focar naquela pessoa indesejada, são todas falhas. Porque até quando você está esquecendo ela, você está lembrando, e quando se dá conta, está criando situações no terrível lugar chamado mente que tem conexão direta com o coração. Você tenta e tenta, mas não consegue, porque é inevitável, está se apaixonando.

Quando uma coisa que você costumava fazer sozinha agora só tem graça se a pessoa estiver junto, porque se não estiver, você sabe, vai estar faltando algo. Algo muito grande. A leveza que aquela pessoa traz a essa situação, a esse lugar. A leveza que ela dá para a alma. Mas a ancora que ela se transforma repentinamente, te levando para baixo cada vez mais rápido. Cadê ela? Meu dia não tem graça sem eu poder compartilhar aquela coisa engraçada que aconteceu no almoço ou a tristeza que eu senti a noite.

Você começa a necessitar dela e a necessidade só leva a frustração. E não tem ninguém que saiba mais disso que você, mas quem disse que você tem o controle sobre o coração? Sobre o sentimento? Sobre o amor.

É, isso é só uma questão de tempo;
                                                                                 

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

[SELEÇÃO DE TEXTOS ANTIGOS] TUDO ACABOU

Postado por Bianca Barion às 00:11 1 comentários
   '' Normalmente, eu sempre escrevo alguma coisa enquanto acontece. E depois sempre me arrependo de ter escrito. Eu nunca tinha escrito nada a ele com medo de que acontecesse a mesma coisa. Fosse embora e o texto ficasse. Tudo que eu podia fazer para mantê-lo perto, eu faria. Mesmo que não fizesse muito sentido. Agora, escrevo esse texto depois do fim. Mas, eu penso às vezes, será que esse é o nosso fim mesmo? Me doí pensar que talvez seja. Algumas coisas acontecem na vida, e vão embora. Talvez esse seja o ciclo delas. Entraram na sua vida para durar pouco, mas pode acreditar, não estiveram ali por nenhum motivo. Tudo tem um porém, uma razão de acontecer. Eu me agarro nisso.  E sei que ele teve um motivo para ter passado na minha vida. Esse motivo ainda não é tão aparente, visível, que eu possa afirmar sem nenhuma dúvida. Você foi um acaso tão lindo, que é difícil acreditar que não teve um motivo. Eu me lembro, uma madrugada de terça-feira, e ele apareceu. Eu nunca mais vou ficar a madrugada toda falando com ele, ouvindo sua risada, que é a coisa mais linda do mundo. Seu sotaque gaúcho, e quando falava ‘’piá’’ e eu odiava essa gíria, mas comecei a gostar só porque ele falava, e me lembra a sua voz, o jeito que ele se importava, era a coisa mais linda que alguém já demostrou para mim. Eu me lembro dele sempre com um carinho e uma saudade que não cabe em mim. É uma pena que a distância exista e o amor não suportar ficar longe um do outro. Tudo ter um fim. Eu vou encontrar ele, eu sei que vou. Posso estar com uns 30 anos e viajando, e ele pilotando o avião. Ou, talvez, ele passe por mim em um desses encontros casuais, e eu nem o veja, mas meu coração sinta. Posso abraça-lo, ou nunca tocá-lo. O que tiver que ser, será, não é mesmo? Eu sou apenas uma adolescente que conheceu alguém num momento todo errado, mas essa pessoa tornou a situação perfeita. A primeira pessoa que disse que me amava, se importou, e disse o quão maravilhosa eu era. Mesmo não dizendo tudo em palavras, eu sentia em sua voz, na sua ternura e na maneira de agir. A última coisa que eu queria era fazê-lo sofrer, e se do modo que foi, era o melhor para ele, e para mim, eu não me importo. Só lamento a vida ser tão severa. A gente não sabe do futuro, nós não sabíamos que o passado ia ser assim. Aconteceu e acabou. E todo o tempo que durou foi maravilhoso. Eu sei que ele está aqui, e meu coração diz que aqui é o lugar dele. Uma rua, uma esquina, uma cidade, um país, quem sabe a gente não se olhe e lembre-se de tudo, ou só nós olharemos. Quem sabe, não é? O tempo faz esquecer promessas e desejos adolescentes.
Eu sempre vou lembrar-me de você, com todo o amor do mundo. Eu senti nosso amor, e ele foi uma brisa passageira, mas foi tão linda como algo presente.  Te levo comigo, até que um dia a vida te leve até mim. Se ela não levar, fica tranquilo, você sempre estará aqui, comigo. Obrigada por me fazer feliz madrugadas inteiras, e ainda terei muitos sorrisos ao lembrar de você, e lágrimas de ter acabado.'' 

Bem,
Um rapaz do Rio Grande do Sul me inspirou a fazer uma centena de milhares de textos. Não sei de onde tirava tanto sentimento, tanta história, tantas palavras. Como ele morava no Rio Grande do Sul e eu em São Paulo não deu certo, sendo que tudo isso durou apenas uma semana.

Sim, eu só tinha ‘’ convivido’’ com ele uma semana. E demorei 2 anos para superar isso.

O problema é que nunca na vida um menino havia sequer ligado para mim. No sentido figurado e literal da coisa mesmo, porque ele ligava para minha casa e eu passava horas falando com ele. Pra que usar Skype gratuitamente se a conta pode vir com mais de 3 dígitos? Também não sei.

Como disse em um texto anterior, tudo que é novo pode parecer a melhor coisa, tudo que é sentido pela primeira vez parece que vai durar para sempre. Foi assim que eu estava neste momento. Foi a primeira vez de tudo, a primeira vez de um ‘’ eu te amo’’ que com certeza não foi real. Quem ama alguém em questões de dias? Bem, eu nunca havia parado para pensar naquela época. E eu não me culpo, eu queria sentir o amor, e essa foi a única forma, uma forma errada. E a gente sempre vai começar da forma errada até chegar na certa. Se ele tivesse entrado na minha vida hoje, e viesse falando que me ama no segundo dia, eu já ia dizendo ‘’ epa, pera lá’’ porque eu não sou feita só de esperança e amor. Sou cheia de decepções, já vivi muito frio na barriga que depois virou enjoou, então não será qualquer coisa que me fará flutuar. Talvez seja ruim o peso que adquirimos durante a vida, mas também é bom porque não vamos sofrer por qualquer besteira de uma semana.

E eu sofri por longos 2 anos porque eu fiz uma projeção dele que não existia mais. Um menino doce, legal que estaria esperando por mim a vida toda. Quando nos encontrássemos, eu ia pular em seus braços e ele me giraria pelo aeroporto. É, eu imaginava assim, não me julgue.

Depois eu percebi que ele havia mudado completamente, não sentia mais nada por mim, se já chegou a sentir, né. Me tratava de qualquer jeito e não dava a mínima. Se eu fosse até sua cidade, eu teria de ir atrás dele e ele olharia com cara de ‘’ quem é você mesmo?’’

É, o efeito do maravilhoso e tenebroso tempo. Tudo mudou, todos os planos se desfizeram, e não me sinto mal, não. Vivi muito depois disso, conheci muitas pessoas também. É vida que passa. E se eu o ver um dia, será legal. Agradeço sim por ele ter me mostrado uma sensação que nunca havia entendido e nem vivido. Mas somos diferentes e seguiremos caminhos diferentes.

Pois é, desculpa, mas não sinto mais nada;



domingo, 18 de janeiro de 2015

[TEXTO] MIL QUILÔMETROS

Postado por Bianca Barion às 18:51 0 comentários
E hoje, especialmente hoje, a vontade que é maior que ontem e menor do que amanhã, tornou a invadir os pequenos fragmentos de alguma coisa que ousava-se a ser chamado de coração. A crença imbecil e incrédula, cheia de fome de algo que nem posso tocar, o embuste que isso é para sempre. Isso que não é possível de ver a olho nu, que torna a doer as vezes, que torna a sangrar, mas nunca a morrer. O empecilho entre nós dois, ele se faz de cego diante dele o tempo todo, ele, o sentimento. Ele que cresce acovardado, mas você o dá coragem, logo a retirando. As mentiras que conta em tom de verdade. As verdades que conto em tom de mentira. Imaginei-te deitado ao meu lado, alisando meu rosto, dizendo nada. Só sentindo. Sentindo que sou a única no meio de tantas que nunca chegou a te querer. E eu te quero. Quero com todas as fibras gastas do meu corpo, com toda a minha paranoia, minha mania e loucura. Disse que não pode me mudar, mas nem eu posso. Sou isso que você vê, essa bipolaridade disfarçada de destreza e doçura, que te envolve forte, que traz você perto, mesmo estando longe. Tão longe que nem reflito muito sobre. Sua voz atravessa quantos quilômetros para chegar até meu ouvido? Aliás, quantos quilômetros um sentimento sobrevive? 

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

[RESENHA 13] A LISTA DE BRETT

Postado por Bianca Barion às 00:00
 


A lista de Brett
Autora: Lori Nelson Spielman
Editora: Verus

Sinopse: Brett Bohlinger parece ter tudo na vida – um ótimo emprego como executiva de publicidade, um namorado lindo e um loft moderno e espaçoso. Até que sua adorada mãe deixa no testamento uma ordem: para receber sua parte na gorda herança, Brett precisa completar a lista de sonhos que escreveu quando era uma ingênua adolescente.
Deprimida e de luto, Brett não consegue entender a decisão de sua mãe. Seus desejos adolescentes não têm nada a ver com suas ambições de agora, aos trinta e quatro anos. Alguns itens da lista exigiriam que ela reinventasse sua vida inteira. Outros parecem mesmo impossíveis. Com relutância, Brett embarca numa jornada emocionante em busca de seus sonhos de adolescência.

A lista de Brett, mais um livro que fez minha bipolaridade alcançar níveis alarmantes. Eu adorei não adorando.

Pois bem, vamos lá. A querida mãe de Brett, Elizabeth, guardou uma lista de desejos da filha feita quando ela tinha apenas 14 anos. Depois de sua morte, vítima de um câncer, Elizabeth deixa como missão a Brett cumprir esta lista, e só assim terá acesso a herança deixada, tudo isso num prazo de um ano. Para acompanhar o processo, ela conta com o advogado Brad, que logo vira seu amigo.
No decorrer da história, contamos com grandes personagens, cada um com um impacto na vida de Brett. Andrew, seu namorado frio. Shelley, sua cunhada e amiga, o querido advogado Brad, sempre a apoiando. Entre outros personagens secundários.

O começo do livro é muito morno e parece que não vai levar a lugar algum. Conforme o desenrolar dele, começam a aparecer personalidades mais interessantes, desejos a serem cumpridos e isso dá um ‘’up’’ no contexto todo. Mas senti falta de alguma coisa, o livro tinha tudo para ser inesquecível e maravilhoso, mas foi apenas interessante na minha perspectiva.

O que deixou a desejar foi a narração. Eu não acreditei na Brett. Creio que quando você lê um livro você deve acreditar na personagem, a ponto de odiá-lo ou de amá-lo como se ela fosse real. Brett nunca foi real para mim, sempre a vi com o semblante da escritora atrás.

Acho que como sendo o primeiro livro de Lori, ela não soube manter muito a emoção e suspense. O livro é narrado em primeira pessoa e concordo que é uma leitura bem simples e fácil, creio que isso que me incomodou. O modo que ela descreve os fatos não me prendia em nenhum momento. Em algumas partes do decorrer da história, ela estregava o que iria acontecer logo em seguida. Como se você lesse em um livro de terror. ‘’Estou prestes a entrar nessa casa mega assustadora e com certeza encontrei um monstro enorme e terrível que vai saltar daquele armário que está com uma fresta aberta, com certeza ele vai sair dali’’. Isso só mostra que ao entrar na casa nada acontecerá, porque você já revelou a expectativa da personagem, e é claro para o leitor que os fatos não aconteceriam conforme ela, porque seria ridículo.

O livro é baseado no obvio para mim. O suspense não dura mais que um capítulo. Tudo bem que para quem leu se surpreendeu no final com alguma coisa, mas eu achei obvio. OBVIO, a palavra do dia.
Por parte, gostei do jeito que ela caminhou com a história e como Brett cresceu com tudo isso, e com as passagens que me emocionaram. Gostei também da criatividade da escritora no decorrer dos capítulos, mas nada além disso.

Para mim, um livro morno sem nada especial, apenas uma deliciosa história, mas que não prende em momento nenhum e que deixa muito pouco a palavra ‘’O que vem agora?’’ no ar.

Trecho favorito: ‘’ Mas onde fica exatamente a divisória entre coragem e arrogância, entre desejar o que é certo e esperar mais do que merecemos?’’ Pág. 336.







sábado, 27 de dezembro de 2014

[TEXTO] PARA VOCÊ, J.

Postado por Bianca Barion às 23:07 0 comentários
Se for para ir embora, o faça com carinho. Você sabe que lhe dei meu coração quebrado em mínimos pedaços, feito um vaso velho. O dei em suas mãos e você olhava meio sem jeito, meio sem ter o que fazer, mas olhava com aqueles olhos castanhos. Sorria com aquele sorriso que só você sabe dar, e, bem, eu pensei - que se dane. Se for para ir embora, deixe-me abraçar-te só mais uma vez. Eu juro, não vai demorar muito. Pegue na minha mão, olhe-me sem jeito e faça promessas fajutas, como a que um dia encontrarei alguém tão especial como você. Se for para ir embora, vá rápido, sem anestesia, não tente achar o encanto que se foi. Você não achará, nenhum deles nunca acha. Mas antes, deixe comigo aquela blusa azul escuro sua que você jura que te deixa mais bonito, como se isso fosse possível. A deixe para eu sentir seu cheiro antes de dormir. Assim como eu fazia antigamente e você ria quando eu contava. Deseje-me boa sorte. Deseje-me força. E quando for embora, dê-me um beijo e diga que o último é seu, e dessa vez eu deixarei você vencer, porque realmente é o último. Não se assuste quando meu coração virar pó. Apenas tire seus óculos para não ver com clareza. 

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

[TEXTO] NOSSA HISTÓRIA SEM COMEÇO

Postado por Bianca Barion às 20:11 0 comentários
Imagine se eu só te conhecesse daqui a 10 anos. Numa hora desta, eu estaria em paz. Eu poderia estar ouvindo músicas tristes e não me identificando com nenhuma. Andaria por aí com o coração desocupado. Toda noite sem angústia e as lágrimas em função de você. Poderia estar me sentindo intensa, forte. Eu ainda faria cara feia ao ouvir rock. Não me sentiria tão imprestável. Sem tantas perguntas me assombrando. E se eu tivesse te conhecido há 10 anos? Se a gente fosse melhores amigos. Eu tivesse passado a maior parte da minha vida sendo sua amiga, te decifrasse de trás para frente. Se desde sempre você soubesse que eu te amava. Chegaria num ponto e afirmaria: ‘’é ela’’? Será que nossa história é impossível por questão de tempo, por questão minha, sua, ou do destino? Imagine se eu nunca tivesse te conhecido. Toda vez que eu penso que poderia ter seguido outro caminho no ano anterior, nunca ter cruzado com você, vem uma vontade de chorar. Pois é, quando não choro pensando em ti? Sabe o que me deixa de pé quando eu acho que tudo está acabado, quando está tudo uma droga? É você. Você se tornou minha esperança, minha felicidade em tanto pouco tempo. E sabe o que é pior? Isso não é para sempre. Neste momento você está amando outra, enquanto eu, o que faço? Escrevo coisas que você nunca se quer vai ler. Minha esperança é você. Mas eu nunca te terei. A vida me apresentou uma pessoa maravilhosa, mas e daí? O que eu ganho com isso? Eu vou ter você para mim? Eu vou ter alguma chance contigo algum dia? A resposta é clara: Não. Eu não quero enxergar isso, porque você é minha perspectiva. Você me traz felicidade. Mas essa esperança vai embora algum dia. Vou perceber que você nunca segurará minha mão, eu nunca te beijarei, você nunca me chamará de ‘’amor’’. E quando isso acontecer, eu vou perder o que me mantém em pé, e eu estou com tanto medo. Eu te amo, e talvez nossa amizade não sobreviva a isso. Nunca seremos amigos completos. Vou ser sempre a que te ama. E você o que ama outra. 
O ponto é esse: O destino. Se eu tivesse te conhecido anos atrás, anos a frente, não mudaria nada. Eu sinto isso. Eu fui destinada a me apaixonar por você, mas você não foi para o mesmo. Nunca seria. Namorando, solteiro ou até viúvo. A gente não foi feito para ficar junto, mas a vida quis, de alguma forma, que eu te conhecesse, mesmo que eu ache que não posso viver sem você, enquanto eu seria sua última opção de amor. Eu só sei que o que nunca poderia acontecer, seria eu nunca ter te conhecido. Eu estava aqui o tempo todo, só te esperando, porque eu precisava do seu sorriso para acreditar. E talvez agora eu acredite. De qualquer forma, o destino foi lindo me apresentando você. Não ficaremos juntos nunca? Que se dane, eu amei você da forma mais verdadeira, e quem sabe, em outra vida.

terça-feira, 11 de novembro de 2014

[SELEÇÃO DE TEXTOS ANTIGOS] EU CONTINUO ASSIM?!

Postado por Bianca Barion às 13:00 0 comentários
‘’ Eu não sou mais aquela garota romântica. Eu não acredito mais em ‘’felizes para sempre’’, muito menos no homem ideal. Eu me tornei uma pessoa fria e com poucos sentimentos. Aos que me restaram, é amor pela leitura, escrita, e pelos meus maravilhosos ídolos, com suas músicas que faz minha alma sorrir. Amor pelas coisas simples, pelos fins de tardes e o começo de outro dia. Eu substituí a necessidade de me apaixonar loucamente por um carinha com um corte de cabelo legal, cuja sala sei, ‘’um ano à frente’’, penso. E nunca mesmo troquei uma palavra e tive que descobrir seu nome fazendo uma boa pesquisa pelo colégio, ou, quem sabe, por uma rede social. Já acho que morro de amores por ele. Claro, ele é o amor da minha vida. Sobre a vida dele?! Bem, não sei nada. Ele pode ser um estuprador, mas, ah, do que isso importa? Eu quero a felicidade, só ela. Na minha vida aconteceram coisas incríveis que não pude valorizar porque eu não estava completa. Estava faltando o amor de um menino babaca com a mentalidade de um garoto de nove anos. Ah, meu deus, eu vou chorar por tudo, vou dedicar meus posts no tumblr a ele. Vou perder horas de sono, vou descobrir alguma música que tenha nossa história. Mas que história, meu senhor? A nossa história é resumida na qual você nem sabe meu nome, e eu sei seu sobrenome, e tudo mais o que eu posso? Resumida em quantas vezes chorei enquanto você se divertia com os amigos? É isso mesmo que eu estava querendo fazer com a minha vida?
Era, porque isso mudou. Agora eu me coloco em primeiro lugar, e se um dia vir a gostar de alguém, essa pessoa será colocada como segunda opção de felicidade. Eu não me amava, eu me achava uma fracassada cuja única coisa que merecia era ficar correndo atrás de alguém. Mesmo ele me ignorava de tão forma eu simplesmente sempre voltava. Porque eu não amava a mim mesma. Eu tinha que ficar falando ‘’não sou boa o suficiente para ele’’. Acorda! Eu tenho é que falar ‘’ele não é bom o suficiente para mim. ’’ Se valorizar, essa é a palavra. Não depender de um amor para respirar. É quando seu coração já está totalmente quebrado, você para e pensa que não dá mais. Ele não vai aguentar outra decepção. O seu psicológico não vai mais. Você cansa, e eu cansei totalmente. Agora em diante é deixar a razão falar mais alto. Coração não foi feito para pensar, então não deixe a ele essa função.
A minha autoproteção foi a melhor coisa para mim. Eu estou totalmente quebrada, devastada. Vou trabalhar nisso todos os dias. Talvez as magoas não possam ser apagadas, sempre haverá uma cicatriz em mim. Por isso, não quero mais me aventurar num local desconhecido. Eu já estou exposta e, sim, eu desisto completamente. Não quero mais para minha vida correr atrás de alguém. Eu já corri uma maratona, já me declarei por nada. Sabe quanto doí isso? Muito. O tal homem da minha vida, eu não estou mais esperando por ele, como antes eu fazia. Eu apenas estou conformada que ele simplesmente pode não existir. Estou fechada para o amor. Nunca mais correrei atrás de um e isso pode me fazer perder alguém, quem sabe. Mas quantas vezes, meu senhor, eu corri atrás achando que esse era o homem, e eu apenas estou tirando uma frase de minha vida: ‘’e quantas vezes mais correrei atrás?!’’ Eu vou ficar parada, é isso.
Quando não é pra ser, não será. E eu custei MUITO para notar isso. Eu tive que quebrar a cara um milhão de vezes e ficar humilhada no chão. De voltar a cometer os mesmos erros até tomar uma atitude. Vou dar meu amor para quem mais merece por ter sofrido tanto, vou amar a mim mesma. ‘’

Beleza, Bianca, mas deixa eu contar uma coisa para você: isso não deu muito certo, não.

Esse texto é de 2012, eu deveria ter uns 15 anos e decidi escolhe-lo porque, agora, com 18 anos, estou passando pela mesma coisa. Não com tais pensamentos revolucionários como naquela época de ‘’ não existe amor’’ ‘’ sou fria’’. Até parece, sou um turbilhão de sentimentos, mais romântica que eu está para nascer, mas como eu estava magoada no dia em questão, eu auto me perdoo.

Eu jurava de pé junto que nunca mais amaria ninguém, mas o problema é que eu nunca tinha amado. Quando você é jovem, tipo bem jovenzinha mesmo, qualquer menino, qualquer toque, qualquer palavra dita vira eternidade. Você acha que só existe aquela pessoa e que daqui 3 anos ao pensar nela você ainda sofrerá e lembrará dos momentos bons. Pois é, eu lembro quem partiu meu coração para eu escrever isso, e, bem, hoje eu rio e nem lembro por que eu gostava do tal rapaz. Tenho que fazer até um esforcinho para lembrar o nome dele.  Taí uma coisa que eu aprendi com o tempo, que nada é para sempre, ainda mais quando se tem 15 anos. Jamais que o sofrimento por um garoto babaca durará anos, talvez nem dure meses. Você cresce e percebe que quem merece seu amor é quem o dá de volta, e se a pessoa nunca o deu, com certeza não dará lembranças boas para você levar por uma vida. Aos 20 e pouco você terá de perguntar para alguma amiga qual foi o menino que te magoou na 7 série e quando ela lembrar, você vai negar até a morte. Por que, assim, como foi possível gostar disso?

O sentimento que se carrega agora pode ser forte a ponto de cravar machucados na sua pele, porque ele é presente, mas nunca cicatrizes. Aprendizados, sim. Quando você se ver mais velha, não lembrará dos nomes e muito menos dos motivos de ter gostado de tal cara, mas todo seu amadurecimento, ah, com certeza, esse cara te ajudou a montar, por isso faz parte. A gente tem que passar por isso para um dia saber como agir. Saber não dramatizar e saber que não ama tal pessoa, que não está apaixonada. Amor bom vai ser aquele compartilhado, aquele que te fará sorrir e não chorar. Aquele que te trará sensações novas. Esse sim merece ser lembrado. Agora esses por menininhos do colégio? Jamais!

E achar que é possível desacreditar no amor quando se é igual eu, esperando o príncipe chegar de cavalo branco, mas, pela demora, parece que está vindo de trem da CPTM. Jamais rolará, sempre aparecerá alguém que te fará acreditar de novo, ou você sentirá a necessidade de sentir aquilo novamente. Aquele gosto de ilusão, de desespero, e de suspiros com coisas simples que a pessoa faz. Nós meio que necessitamos da dor do amor e do seu prazer dele. Não dá para viver sem isso.
Como disse no começo, estou passando pela mesma situação de desilusão amorosa chatinha, mas hoje sei administrar muito bem. A gente sabe quando não vai dar certo, a gente supera mais rápido. Não fazemos isso virar o fim do mundo. E não estou fechada para o amor, mas também estou deixando meu coração se recuperar e andando com cuidado em territórios desconhecidos.



 

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