sábado, 24 de abril de 2021

ser madura não é deixar com que os outros te machuquem

Postado por Bianca Barion às 00:51 0 comentários
eu fielmente consigo reproduzir suas palavras em minha memória
sua expressão
suas mãos tremulas 
você repetia, de novo e de novo, que me admirava 
que eu era madura
e só agora, realmente amadurecendo, posta naquela situação
consigo me ver como tudo, menos como madura
eu não tive respeito com a pessoa que mais amo
comigo mesma
meu reflexo no espelho, rosto ruborizado 
olhos que ardiam, o ar que me sufocava
você me desprezou e eu deitei mais uma noite ao seu lado, na cama fria
porque, ali, eu amava mais você do que a mim
e hoje te agradeço por ter ido embora
só assim consegui ver como eu colocava alguém que conhecia há 1 mês acima de quem eu sou há 24 anos

quinta-feira, 14 de janeiro de 2021

se eu escrevesse sobre você, você leria?

Postado por Bianca Barion às 17:48 0 comentários




Houve um tempo em que você quebrou meu coração e, como uma maldição, eu nunca ousei escrever sobre o amor enquanto ele florescia. Cabia às minhas palavras o último estágio dele, a ruptura, depois que tudo tinha sido desfeito e eu fincava a dor em textos. Houve tempos em que me apaixonei por você, o desejo da ida diária a sua casa, onde podia te alcançar facilmente atravessando a rua. Depois a distância deu-se por meio de algumas fileiras, à espera do caminho da sua silhueta passando pelos portões de um colégio. Você, alto como um castelo, personificação de um conto de fadas e inalcançável tanto quanto. E entre tudo isso, o universo que silenciosamente trabalhava, como sempre foi e sempre será. Eu voltava para você sem ao menos perceber. Quando uma taça de vinho diretamente me dava a coragem de te desejar um feliz ano novo às 1:06 da manhã e ver seu rosto numa chamada às 23:25 da noite. A correspondência do destino me trazendo à lembrança do primeiro amor. Aquele que nem pode ser nomeado de romântico, mas tem valor muito maior, a simplicidade da pureza de duas crianças. A visão de uma casa com corredores enormes e um menino de cabelos dourados que dificilmente se ouvia o som da voz. Onde nenhuma maldade podia nos alcançar, nem a dor de um coração partido. Meu coração desperta e se aquece com a ternura dos momentos que você me proporcionou e agradeço a todos que estão acontecendo. Pela primeira vez, obrigada por me permitir escrever um texto feliz e cheio de esperança, da forma que for, isso é único. Se eu tivesse o poder de voltar no tempo, iria estar no seu portão, esperando um abraço, sem que um oceano me impedisse de tal ato.  

quarta-feira, 4 de novembro de 2020

[texto] .

Postado por Bianca Barion às 02:55 0 comentários

Como uma verdadeira patética, eu vivo como um fantasma 

Presa no topo de um castelo

Minto para mim que esses cômodos são tudo que o mundo tem a me oferecer

E que minha imaginação é a única que pode me satisfazer completamente

Eu não olho para fora

Não ouso abrir as janelas e a cortina pesada que cobre do teto até o fim dos meus olhos

Me faz, cegamente, escrever e com o som surdo das teclas eu me contento

Mentirosamente, me repito



quinta-feira, 22 de outubro de 2020

[TEXTO] nada faz sentido sem você

Postado por Bianca Barion às 22:33 0 comentários



Venha.

Eu queria te contar que os outros falavam.

Lançavam palavras. 

Você era o único que conversava. 

O som da sua voz era como os acordes da canção que eu nunca escutei.

Você tinha os olhos que questionavam, lábios que respondiam e a alma que confundia.

Eu, posta em frente ao meu devaneio excessivo, nunca teria imaginação suficiente para te criar.

Exista.

Porque minhas percepções andam mudando e eu quero achar um significado para tudo isso.

Mesmo que seja às 3 horas da manhã.

Você tem de vir, existir, falar e me fazer crer que nada é em vão.

Nem mesmo o maior sofrimento que minha carne já experimentou. 

Quero que você explique onde esteve.

E porque eu te projetei nas minhas noites de sono alucinógenas.

Tudo isso deve ter um motivo.

Eu preciso acreditar.

Ou morrer imaginando como seria. 



terça-feira, 6 de outubro de 2020

[TEXTO] ONTEM

Postado por Bianca Barion às 00:34 0 comentários



Ontem eu me senti adolescente. E mesmo sem ninguém me entregar esse título, nas profundezas de minha solidão, o eco me fez perceber. De alguma maneira eu era adolescente de novo. Meu corpo parecia se curvar de vergonha. Alguma coisa em mim não se encaixava, eu não pertencia àquele momento mais. Eu não podia pagar a conta do passado duas vezes, esse débito não cabia. O que eu havia aprendido havia sido jogado fora em alguma parte da minha formação? Pensara. Mas foi aí que o velho eu, que carrego desde criança, me contou que não era sobre regredir e sim encontra-se na mesma situação de anos anteriores e com a dureza do agora, agir de uma maneira diferente. Isso era crescer, sem nomeações de ciclos. 

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020

[TEXTO] legítimo

Postado por Bianca Barion às 00:17 0 comentários

soube que ontem nevou e o violeta de minha mão não pulsou em seu contato
isso porque eu não estava lá
ontem 100 pessoas morreram e por que a neve ainda permanece na minha cabeça?
as pessoas estão vivendo com a televisão ligada o tempo todo
os sons são banalizados
só espere eles esquecerem o que está acontecendo
quando um jovem de 24 anos foi infectado
pensava no porquê, ele também
a luz acaba, o corpo fica preso na escuridão do meio dia
a morte é legítima
e o que há no meio disso?
enquanto vivo, tristeza não se comprova








segunda-feira, 18 de novembro de 2019

[TEXTO] personagem de mim mesma

Postado por Bianca Barion às 22:33 0 comentários
se eu dissesse que, mais jovem, sinto falta de quando parecia que eu tinha o poder da narrativa dos acontecimentos
mesmo triste, eu só tinha 14 anos e isso me reconfortava
é agora ou nunca
enquanto eu deveria estar lendo a personagem de ficção
a única personagem que conheço sou eu e a ficção da minha vida se transformou em uma realidade pesada
a existência está tão papável, materializou-se
e eu só queria estar presa dentro dos meus livros infanto-juvenis, sem julgamento por não ser mais adolescente, vivendo dentro da cena do primeiro beijo para sempre
onde não se descobre que o mundo é feio e, às vezes, você mesmo é
as idealizações se congelam e a pessoa que você nunca teve para si se conserva na imagem perfeita
sem descobrir que são só seres humanos e não divindades
a imaginação, em suas linhas presas à tela do computador, sem jamais deixar que elas entrem em contato com a realidade de carne que sangra
que te quebra e te faz ver que nada é perfeito
a vida real é essa e você não possui nenhum controle sobre os personagens e os figurantes
e então, pra que tudo isso, se só a escrita salva
ali sou personagem de mim mesma.

 

Inquieta Solidão Copyright © 2012 Design by Antonia Sundrani Vinte e poucos

Copyrighted.com Registered & Protected  RA7V-0LGL-PXUV-ZUOE